Já algum de vocês sentiu um amor de tal maneira forte, que vos fez emergir um comportamento animal? Sim, estou a falar daquele comportamento que toda a gente gosta!
Trata-se de um tema difícil de explicar pois nem toda a gente pensa como eu, e como ''um caso não são casos'' provavelmente haverá alguém que não se identifique com esta filosofia (possivelmente uma freira).
Obviamente que paixão e amor não é o mesmo. Nisto não há nada de novo. A paixão essa é rápida e fugaz nos dias que correm. O amor (absoluto, e isto quando ninguém se conforma com o que tem) por sua vez é muitas vezes confundido, no entanto é o mais procurado pela sua extrema raridade. Embora sejam 2 conceitos diferentes a sua base é a mesma: O desejo. ...Platão refere mesmo que o amor será o desejo por algo que não se possui.
Relativamente ao Canibalismo, pode-se afirmar sem sombra de dúvidas que é um traço da nossa cultura, muito mais significativo do que se pensa, tendo até causado movimentos estéticos vanguardistas na Europa e Brasil. Não é à toa que o Cristianismo é tido como representante, no Ocidente, da ordem canibal ancestral. A ideia da ceia cristã (ceia do amor) e o ritual da hóstia (palavra que significa ''vítima sacrificial), são uma actualização de um rito intemporal. Em Roma, o próprio médico do Papa Inocêncio VIII recomendou-lhe sangue de 3 crianças de 10 anos. Os epilépticos bebiam o sangue dos gladiadores. Ora... da mitologia Grega aos mitos indígenas Brasileiros, abundam a omofagia e a antropologia/ antropofagia.
...e ainda relativamente ao canibalismo, esta história sobre esta prática advém dos primórdios da origem do Homem ( e da mulher também, embora as paneleirices começassem a rolar também a esta altura do campeonato). Já os homens do Paleolítico Inferior (que viveram há cerca de 2 milhões de anos atrás) realizavam este sacrifício.
As pessoas não gostam de pensar no canibalismo. O canibalismo é uma acusação que fala da inigualável crueldade humana. A maioria dos animais jamais come um indivíduo de sua própria espécie. Entre os homens, foi uma prática comum. Antropólogos e historiadores acreditam que o canibalismo foi uma das alavancas do processo de evolução.
Reparem, além de vários povos conseguirem a sua história, a sua cultura, o seu código de conduta (embora nos pareça estranho), outros por sua vez conseguiram subsistir graças à carne de outros.
...mas o canibalismo não termina no sentido mais objectivo da própria definição da palavra. O canibalismo, o desejo, o amor platónico entre homem - mulher fez com que a própria paixão se tornasse na única alavanca possível para o desenvolvimento da raça (como qualquer outra). O instinto torna-se então um acto canibal em que o impulso se transforma numa possessão.
Quantos de nós já teve em mãos um Amor Platónico ( um amor perfeito, ideal, puro, casto, alheio a interesses ou gozos, no entanto um amor impossível de se realizar) em que o desejo por possuir fosse de tal maneira grande, em que só nos apetece dar uma dentada? Quantos? E aquando o acto sexual, em que espetámos as unhas bem fundo e trincámos? ..já para não falar nos Sado-masoquistas... Isso o que é, se nao é canibalismo? Se não é... trinquem a almofada!
No fundo, o amor platónico canibalesco, é uma situação em que não chegámos a consumar (totalmente) o prato que temos à frente!
…e para terminar, como prova que este amor absoluto, intenso e verdadeiro (ou até platónico) chega de facto a ser canibal, aqui fica uma amostra:
''Sem metade eu não sou nem tão pouco me dou. Não me transformes em restos.
Come-me com vontade, assim a frio, mesmo que eu não saiba se choro ou se rio.
Espeta-me as tuas garras e devora-me sem piedade, não temas pela saudade, estarei dentro de ti.
Rói o mais duro de mim e saboreia as minhas fraquezas, engole alegrias fracassos e tristezas.
Bebe-me o sangue, o olhar, o pensamento, o riso, o juízo, o ser, o estar, o querer amar.
Rasga a minha pele com os teus dentes, mesmo que o sal não esteja a gosto.
Come-me o desgosto que é querer e não ter a quem me dar, agora que me tens e me dou ao teu paladar.
Trinca-me as mãos que escrevem coisas que eu não percebo e que recebo do além vindas de não sei quem.
Se me queres comer, come-me depressa, antes que o arrependimento chegue, fale e aconteça.''
...sendo este o amor verdadeiro o nosso… Deixas-te comer?
Um comentário:
Está tudo muito bem, excepto as paneleirices. Os paneleiros também têm direito ao amor, platónco ou canibal. Já vai sendo tempo das novas gerações aceitarem o "paneleirismo". Afinal, são apenas homens ou mulheres como todos nós, seres humanos com as mesmas dores, os mesmos sentimentos e desejos. Só partilham a cama com alguém do mesmo sexo, acto que não devia incomdar ninguém. Eu, pelo menos, não costumo querer saber com quem os meus amigos dormem...
Os heteros... Há heteros que gostam de a partilhar com criancinhas ou vitimas indefesas. Mas... pois, desculpem, esses são machos, não é? Mesmo que gostem de rapazinhos como o tio Carlos...
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